31.3.12

E se você dissesse sim?


Era um final de tarde fria e escura de inverno quando você entregou nas mãos 
de uma de minhas amigas, Fernanda uma enorme carta-resposta. Havia muitas 
pessoas ali presentes e eu contive minha felicidade de ter sido merecedora da 
resposta de David, da sua resposta. Por um momento hesitei: – E se ele disser 
um não? Se as palavras desta carta selarem meu sofrimento? Não devo abrir!
– Deixe de ser boba Soph! E ser for coisa boa aí escrita?
- Repreende em seguida Fernanda com toda a sua racionalidade. 
Respirei fundo e abri. Vi inúmeras páginas e sua letra mal feita que pra mim 
era a mais Cali grafada de todas.Comecei a ler o “Soph” no início do papel, 
respirei fundo novamente continuei. À medida que lia suas palavras, meus 
únicos pensamentos eram de não me esquecer de mencionar o quanto você 
se expressa bem. Você proferia toda sua opinião a cada palavra e 
desculpava-se por não ter tido a intenção de me fazer sofrer. Você falava 
que esperava que eu ti esquecesse em breve, o mais rápido possível. Em 
nenhum momento você negou que ficaria comigo, mas nenhuma confirmação 
acabava aos poucos com minhas esperanças. O suspense aumentava. 
Passaram-se folhas e se aproximava a estrofe em que iria saber a tua resposta, 
estava tão próxima de saber! Toda essa expectativa virou frustração no exato 
momento em que meu despertador tocou. Mais uma vez perdi a chance de 
saber respostas que não encontrava e que me atormentavam. Era apenas um 
sonho, talvez o mais intenso, o suficiente para deixar escapar lágrimas 
naquela cama e me perguntar:
“ E se você dissesse sim?”

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