30.11.11

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Avistou a estrada ao longe. A trilha repleta de flores, árvores e metáforas facilmente 
a seduziu.
- Quanto verde! Quanta beleza! Quanta poesia!
Abandonou o mundo cinza-concreto e habilmente trocou seu espírito outrora angustiado por uma alma leve e feliz.
Decidiu-se por aquela estrada, ou teria sido a estrada a decidir-se por ela?
Nunca soube de fato. Dela, só se sabe que seguiu. Seguiu assim, sem mais certezas, possuidora apenas de si mesma, e de sua própria vontade. Mas isso não é tudo o que realmente importa?
Nunca se preocupou em descobrir. Nunca se preocupou em entender.
Ela era toda pés, e tudo o que fazia era caminhar. Os pés mostrariam o caminho.
Seguiu assim, nas suas andanças, sem medo de se perder, de esquecer o caminho de volta.
Não sabia até que ponto queria voltar. Não sabia até onde deveria ir.
Mas é sabido que foi; foi assim, fiel à muita pouca coisa. Fiel de verdade, apenas à si mesma e à sua própria autonomia.
Pelo sim, pelo não, garantias apenas ao seu próprio ser.
Se voltou? Se gostou? Se sorriu? Se chorou?
Ela se limita a dizer que viveu.
E completa, perdida em pensamentos:
- Isso é tudo o que de fato interessa.

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