21.4.11

Molequinho arteiro, coisas onduladas, vendavais e a paixão pela vida apesar das adversidades.



Às vezes a vida nos olha de frente. Um olhar um tanto quanto desafiador, eu diria.
E em meio a um sorriso irônico, ouço a vida dizer:
- Quero ver até onde você agüenta...


E dá-lhe problemas, confusões, sentimentos mal resolvidos, traumas do passado, arrependimentos, dúvidas, incertezas. É que às vezes a vida faz as vezes de um molequinho arteiro. E a vida nos prega peças. E a vida nem sempre é o que a gente espera. E de repente, você se vê num lugar no qual você não gostaria de estar. Não mais que de repente, você percebe em você mesmo sentimentos que você não gostaria de guardar. Num repente, o espelho não lhe agrada mais. As coisas estão onduladas. Onduladas demais, quando tudo o que você mais precisa é uma superfície lisa e regular que reflita as verdades que você tanto procura.
É que às vezes a vida faz as vezes de um molequinho arteiro. Arteiro e encantador.
(Aquele encantamento que só mesmo molequinhos bem arteiros podem possuir.)
É que às vezes a vida faz as vezes de uma criança. E ela apronta, e ela irrita, e ela decepciona. Mas é quando você olha pra vida, essa criança tão leviana. E é quando ela olha para você. E toda desilusão se dissolve no instante em que você vislumbra seus olhos azuis. E ela te olha, meio desafiadora, como criança teimosa. Porém tão terna quanto mãe carinhosa. E então ela te abraça, e aquele abraço contém toda a sinestesia. Num misto de sensações, emoções e vendavais, o abraço da vida te devolve a vontade de vivê-la. É quando você descobre que vale a pena ter essa criança mal-criada perto de você. Porque ela é mágica e é encantadora, e ela é fascinante e é imprevisível.
Dessa vez, quem olha a vida de frente é você. E em meio a um sorriso doce, você se escuta dizendo:
- Ei, vida. Sabe o quê? No final das contas, eu sou apaixonada por você!

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