26.2.11

Desatino coerente



Num desatino coerente, desisti de tentar corresponder a todas as expectativas. Abri a gaveta e num ímpeto joguei fora os velhos papéis. Anotações, lembretes, sonhos e desejos de uma vida que há muito não era mais a minha. A caderneta de telefones. Maioria números discados por obrigação. A elegante obrigação social de dizer olá, tudo bem, como vão as crianças, e etc e tal quando no fundo a única coisa que se quer é ficar em casa olhando o céu através da janela. Joguei-a fora também. Despi-me das fantasias inúteis e dos desejos ingênuos de quem vive para agradar alguém. Resolvi admitir-me como sou; eu por completo, minhas certezas e minhas dúvidas também. O que sou e o que não sou. Por enquanto. Lavei a cara e a alma de toda a maquiagem. Sem mais desculpas, sem mais angústias, sem mais disfarces. Saí fora de tudo aquilo que há muito não me agradava. E consegui pensar claramente em minha vida e em minha única obrigação, a qual chamamos ser feliz. E não importa quanto tempo leve, o quanto as pessoas falem, não importa mais nada além da felicidade que estou pronta para buscar. Finalmente a gaveta está limpa. Minha alma também.

Nenhum comentário:

Talvez Poeta © Theme By SemGuarda-Chuvas.