15.2.11

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Dai-me por favor somente aquilo que for simples. Do que é complexo eu já cansei. Dai-me por favor o canto do sabiá livre na mata. Dai-me por favor a liberdade dos sabiás engaiolados - o que é mesmo que o homem tem contra os seres livres?-. Dai-me por favor a delícia daquele sorriso, dai-me por favor felicidade pra mais de mês. Dai-me por favor menos conhecimento, eu quero infinitamente saber menos e sentir mais. Aliás, dai-me, por favor, mais conhecimento dos sentimentos, das emoções, das sensações. Dai-me sinestesia! Dai-me por favor a sabedoria daqueles que vivem muito. Mas antes, dai-me a graça de viver bem. Dai-me muitos dias de Natal, mais que isso, dai-me a capacidade de enxergar o Natal de cada dia. Dai-me também a maciez da chuva quando toca o chão, aquela maciez de quem toca corações a cada pingo. Dai-me sensibilidade. Dai-me viver menos prosa. Oh, por favor, dai-me viver poesia.

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