18.12.10

Em Dezembro.

Em Dezembro mangas maduras eram vistas da janela mais antes disso já tínhamos comido muita manga verde com sal, tirado escondido da cozinha.
- Quem comeu manga verde ?
Vamos confessa, já.
Nenhum confessava: os dois de castigo.
Mostrei para César a manga amoitada no capim: começava a amarelar. Ele cheirou, apertou contra
o rosto, me pediu.
- Dou um pedaço.
- Quero a manga inteira.
- A manga inteira não. Um pedaço.
- A manga inteira ou um nada.
- Então nada.
Quando entrei na cozinha, vovó estava me esperando:
- Pode ir para o quarto. Já sei de tudo. Fiquei fechada de castigo até a hora da janta.
- Se tornar a comer manga verde, na próxima vez vai apanhar é de vara, ouviu ?
Quem apanhou de vara foi César, cerquei-o no fundo do quintal com uma vara:
- Você enredou, agora vai pagar.
Ele pediu pelo amor de Deus. Perguntei se ele gostava de mim. Ele disse que gostava.
Pedi para ele dizer: ''Eu Te Amo''.
Ele disse. Eu falei que era mentira, que gostava é de Clarice. Então ele disse que era mentira mesmo,
que tinha é nojo de mim, e eu desci uma varada nas pernas dele.
Em vez de correr, ele ficou parado, encolhido contra o muro.
- Pede perdão, senão eu te bato de novo !
Ameacei com a vara, mas ele só chorava. Então bati de novo, e dessa vez ele nem se mexeu, como
se não tivesse sentido dor. Foi andando em direção à casa, e eu fiquei parada vendo-o afastar-se.
Ao voltar para casa, deixei três moranguinhos na mesinha do quarto onde ele havia adormecido.
No dia seguinte recebi uma caixinha e um bilhete, escrito assim:
''Eu gostava é de você mesmo, mas agora nunca mais.''



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